Inspirações dos jogos de RPG sobre Vampiro

Interview with the Vampire starring Tom Cruise & Brad Pitt
Courtesy of Warner Brothers/ Everett Collection
Entrevista com o Vampiro estrelando Tom Cruise & Brad Pitt Cortesia de Warner Brothers/ Everett Collection

Vampiro. Uma criatura sedutora e misteriosa que fascina gerações. Os jogos de Vampiro e criaturas mágicas em geral são um reflexo das inspirações da época em que foram criados. O mito do vampiro surgiu na antiguidade, mas se popularizou devido aos romances de horror gótico do século 19, sendo Drácula e Carmilla os maiores expoentes deste movimento. Após essa popularização inicial, o mito do vampiro foi se modificando com as décadas, absorvendo influências conforme a sociedade se modificava. Do Nosferatu, de Murnau até o Lestat da Série Entrevista com o Vampiro, passando pelos Garotos Perdidos e Buffy, cada década apresentou o mito do imortal atormentado de uma maneira diferente. Os vampiros dos jogos de RPG não são diferentes, influenciados pelas mesmas mídias e com jogadores que buscam reproduzir essas fantasias. Vamos discutir os dois “tipos” principais de vampiros do imaginário e os jogos de RPG que eles influenciaram: o Vampiro Rockstar dos anos 90 e o Vampiro Romântico que se populariza a partir da década de 2010.

O Vampiro Rockstar

A primeira grande leva de jogos de vampiro na verdade é apenas um jogo, espalhado por diversas edições: Vampiro: a Máscara. Pesadamente influenciado pelo zeitgeist da época, Vampiro: a Máscara possuía toda a ambientação das Crônicas Vampirescas de Anne Rice misturado com o clima apocalíptico do final do milênio. Nos final dos anos 80 e nos anos 90 tivemos diversos sucessos no cinema, quadrinhos e televisão que ajudaram a solidificar o arquétipo do vampiro maneiro. Todo mundo sabia que Louis era um chorão, e ser vampiro era a melhor coisa do mundo, certo? Afinal, quem não iria querer ser forte, sexy e imortal? Essa visão é reforçada nos filmes e séries da época, como Drácula de Bram Stoker, Os Vampiros de John Carpenter, Anjos da Noite e A Rainha dos Condenados, onde Lestat é literalmente um Rockstar.
Mesmo em filmes e séries onde vampiros e outras criaturas eram os vilões, eles sempre foram retratados como poderosos, sedutores e dispostos a conceder a dádiva da imortalidade aqueles dispostos a abandonar a humanidade. Em 1998 foi lançado o filme mais influente para a maneira como os jogadores interpretavam vampiros em jogos de RPG: Blade, o Caçador de Vampiros.
Sobretudos e katanas, tiroteios sem consequências e lutas entre imortais se tornaram a parte preferida da maioria dos grupos que jogaram Vampiro nos anos 90 e começo dos 2000, e a terceira edição de Vampiro segue como a favorita daqueles que preferem este tipo de jogo.

O Vampiro Romântico

Sobretudos e katanas foi a definição do quão maneiro um vampiro era e uma geração inteira cresceu com esse arquétipo. Mas os adolescentes das décadas de 80 e 90 estavam na casa dos 30 anos em 2005. E em 2005 um novo fenômeno surgiu.
Crepúsculo foi lançado em 2005 e adaptado para os cinemas em 2008. E mudou a percepção que temos das criaturas da noite. Sai de cena os vampiros que sofrem pela imortalidade e pela passagem do tempo, e entra em cena os vampiros que sofrem por não viverem o amor eterno. Essa percepção se estendeu para outras criaturas mágicas, como lobisomens, bruxas, fadas e fantasmas. Crepúsculo varreu a cultura pop e influenciou diversas outras produções da época. True Blood, Vampire Diaries, Teen Wolf, Once Upon a Time, The Originals, Legacies, Sabrina e diversas outras produções sobre criaturas mágicas foram diretamente influenciadas por Crepúsculo e sua visão romântica sobre imortalidade e poder.
Se antes ser um vampiro era maneiro, e o fardo da imortalidade era a desconexão com o mundo, agora estas criaturas sofrem por passar a eternidade sozinhas, sem ter a compreensão de uma alma gêmea. Elas ainda são sexy e poderosas, mas nada disto importa quando se está condenado a passar a eternidade sem o amor verdadeiro.

O Impacto

Diversos RPGs, influenciados por este movimento cultural, mudaram a maneira que as criaturas sobrenaturais são retratadas. Os exemplos mais notáveis desta influencia são Monsterhearts e I was a Teenage Creature mas Vampiro: a Máscara não escapou desta nova influência. Em um rompimento com as versões anteriores, a V5 de Vampiro trouxe novas opções, mecânicas e rompeu com a tradição de sobretudos e katanas das versões anteriores. Os temas da relação do vampiro com sua humanidade e relação dele com os mortais são muito fortes nesta versão. Regras como Dado de Fome, Pilares e Ressonância reforçam isso na mesa a todo momento. Temos até vampiros que podem sair no Sol (mesmo que por pouco tempo).
Essa mudança em Vampiro causou uma mudança no público do jogo. Diversos jogadores se recusaram a migrar para a versão mais nova, e continuam jogando as versões anteriores até hoje. Apesar disso, a renovação de público atingiu o jogo, e temos um público mais jovem, mais interessado em explorar os dramas pessoais dos seus personagens e um jogo mais próximo do que ele se propunha desde os anos 90. Ainda é possível jogar sobretudos e katanas na V5, mas as regras e os suplementos lançados não reforçam esse gameplay. Apesar de apresentarem diversos combates, actual plays como LA by Night são famosas pelo drama e sacrifícios que os personagens precisam fazer.

E a V6? É o futuro?

A confirmação da V6 na GenCon de 2026 deu fim a semanas de especulações e conseguiu o feito inédito de juntar os fãs das edições anteriores e da V5. Todos odiaram as novas regras!
O que nós vimos no Alpha, apesar da carta de amor ao Mundo das Trevas que os desenvolvedores colocaram no material, foi um jogo sem alma. Se as edições até a V3 exploravam o mito do vampiro rockstar e a V5 explora o mito do vampiro romântico, a V6 é um jogo que tenta apelar para um novo público, sem entender o que tornou as edições anteriores um sucesso.
Em termos de regras, o sistema não representa o tipo de fantasia que os fãs estão interessados, e parece apenas um conjunto das mecânicas da moda. Mas minhas impressões sobre a V6 são um tópico pro futuro. Afinal, os vampiros possuem todo o tempo do mundo para perseguirem seus interesses. E se nós levarmos em conta o sucesso de Sinners, parece que nós temos um novo tipo de vampiro surgindo no imaginário popular.

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