FoundryVTT e PlayStation

Eu odeio o FoundryVTT. Sim, é isso mesmo que você leu. Eu não odeio VTTs no geral. Eu mestrei e joguei alguns anos usando o Roll20. Eu organizo minha crônica de Vampiro no Worldcraft e já joguei no VTT integrado dele. Mas eu odeio o FoundryVTT. Essa imagem acima é de uma personagem minha em uma campanha de D&D 5e. Mas poderia ser a barra de atalhos de algum MMORPG coreano do começo dos anos 2000.

A Imersão Não Imersiva

Muita gente considera o FoundryVTT a ferramenta perfeita do mestre que se leva a sério. Com seus módulos, scripts e habilidade de customização, é considerado uma ferramenta de imersão sem igual. E aqui começa o problema. Botões na tela, sons de magia, luzes, cutscenes, mapas animados e trilha sonora nunca serão tão imersivos quanto nossa imaginação.
Como eu disse anteriormente, eu não tenho problemas com VTTs no geral. Muitos jogos se beneficiam das automações dos VTTs e o combate no D&D 5e é mais fácil de gerenciar com rolagens automáticas e dano aplicado diretamente. Sobre isso não há dúvida. O problema começa quando são construídas interfaces semelhantes a jogos de videogame para aumentar a imersão no jogo. Eu já vi mesas de Fabula Ultima que o mestre recriou a interface gráfica de Chrono Trigger e os jogadores tinham que selecionar suas ações como se estivessem jogando o clássico do Super Nintendo.
Recentemente eu joguei uma sessão de combate no FoundryVTT que me levou de volta aos bons tempos de MMORPG. Meu conjurador tinha tanto botão na tela e tantas opções que me senti numa raid contra algum boss em busca de um bom loot.

O Efeito Baldur’s Gate 3

Esse fenômeno do Foundry não é novo, mas talvez tenha se intensificado após o sucesso de Baldur’s Gate 3. Como BG3 se assentou na mente do público como a melhor encarnação do D&D, inclusive com suas modificações de regras, o Foundry parece ter assumido o lugar de “ferramenta definitiva do Mestre de RPG”, especialmente daqueles que estão comissionando suas mesas. Já existem diversos cursos e tutoriais disponíveis para customizar cada vez mais a ferramenta. E ela ganha uma importância tão grande na mente de parte do público que deixa de ser apenas uma ferramenta e se torna a estrela principal da sessão. Já vi jogadores falando que não jogariam uma mesa pois não era utilizado o Foundry. Na mente deste jogador, o mais importante era a ferramenta, não o jogo que iria acontecer.

Então qual a conclusão disto?

Quando o peso de aprender uma ferramenta se torna um fardo para o mestre, e é necessário fazer um curso para mestrar RPG, fica evidente que temos um problema. Cada um é livre para carregar seus sacos de cimento, mas forçar isso como a melhor maneira de aproveitar o hobby aumenta a pressão naqueles que querem começar ou migrar de papel.
Afinal, se o mestre precisa preparar o Foundry, instalar os scripts, criar as cenas, hospedar a instância e garantir a conectividade dos jogadores, não é melhor deixar essa ideia de lado e ser apenas jogador?
E para o jogador que se recusa a jogar mesas que não utilizam o Foundry, eu tenho apenas um recado: se quer tanto apertar botões, é melhor comprar um PlayStation.

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